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Maiko Oliveira França, de 31 anos, morreu após infecção depois de aplicar medicamento em farmácia no Acre
Arquivo pessoal
O uso de coquetéis de vitaminas, especialmente os injetáveis, divide opiniões entre profissionais da saúde após a morte de Maiko Oliveira França, de 31 anos, em Tarauacá, no interior do Acre.
Contudo, apesar das diferenças de abordagem, há um ponto de consenso: a aplicação desse tipo de substância deve ser feita apenas com prescrição médica. 👉Contexto: Maiko Oliveira França morreu após apresentar complicações graves nos dias seguintes à aplicação de uma medicação injetável.
A morte do homem ocorreu em 22 de fevereiro após receber uma injeção intramuscular aplicada na região do glúteo.
O caso é investigado pelo Ministério Público do Estado (MP-AC) e apurado pelo Conselho Regional de Farmácia (CRF-AC). 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Para o cirurgião geral e professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Nilton Ghiotti, os chamados 'coquetéis vitamínicos' não têm eficácia comprovada, mesmo com promessas de benefícios como aumento da imunidade, disposição e melhora estética. "Não há nenhuma evidência científica de que esses coquetéis funcionem, desta forma, não são recomendados.
Em casos de deficiência vitamínica comprovada, que não ocorre em pessoas que se alimentam adequadamente, a medicação deve ser prescrita pelo médico", disse. Médico explica o que é e o que pode causar uma infecção generalizada LEIA TAMBÉM: Adolescente dá entrada em hospital do AC com ferida na perna, morre por infecção generalizada e família alega negligência; Saúde nega MP vai apurar morte de adolescente que teve infecção generalizada após queda de bicicleta no interior do AC Família de homem que morreu após injeção aplicada em farmácia faz protesto no AC: 'Não foi acidente' Segundo ele, o uso em pessoas saudáveis pode trazer riscos, como reações anafiláticas, potencialmente fatais, e hipervitaminose, que pode sobrecarregar órgãos como os rins. "Nada supera uma dieta equilibrada com verduras, legumes, frutas, proteínas como carnes, ovos, leite e as gorduras boas, como o azeite, castanhas, abacate e principalmente fazer atividades físicas regularmente, pelo menos 40 minutos por três vezes na semana", concluiu.
Maiko Oliveira França morreu em Cruzeiro do sul no último domingo (22) Arquivo pessoal Farmacêutica defende aplicação Já a presidente do CRF-AC, Larissa Botelho, destaca que, embora o uso indiscriminado seja perigoso, a aplicação de medicamentos injetáveis pode ser realizada em farmácias, desde que respeitadas as normas sanitárias e profissionais habilitados. "Podem ser aplicados em farmácias, sim, por farmacêuticos ou profissionais habilitados, desde que o local tenha estrutura adequada e autorização sanitária.
No entanto, é obrigatória a apresentação de prescrição médica para esse tipo de aplicação", destacou.
Ainda segundo ela, mesmo que as regras vigentes no Brasil liberem a medicação em farmácias, é importante estar atento pois o uso indiscriminado pode trazer riscos como reações adversas e excesso de vitaminas no organismo. "O mais seguro é sempre buscar avaliação médica antes de iniciar qualquer tipo de suplementação injetável", concluiu a farmacêutica.
Familiares de Maiko Oliveira França, de 31 anos, protestaram na manhã desta segunda-feira (30) no centro de Tarauacá Cedida Morte após injeção Segundo a família, Maiko procurou o estabelecimento no dia 18 de março após sentir tonturas.
No local, ele teria pedido orientação sobre qual medicamento tomar e, após recomendação de uma atendente, resolveu aplicar um coquetel de vitaminas. De acordo com relatos de familiares, a aplicação foi feita por uma mulher que seria filha dos proprietários da farmácia.
A medicação teria sido administrada mesmo após o paciente demonstrar hesitação inicial. “Ele perguntou qual era o remédio bom para tontura.
Ela disse que era bom ele tomar um coquetel.
Ele até disse que não ia tomar, mas ela insistiu e acabou aplicando nele”, contou ao g1 Raimunda Cristiana, de 32 anos, prima da vítima.
Nos dias seguintes, o quadro de saúde de Maiko piorou.
Ele voltou à farmácia no dia 19 com dores intensas e recebeu apenas um spray analgésico.
Já no dia 20, apresentou agravamento dos sintomas, incluindo hematomas e dor intensa, e procurou atendimento médico no hospital da cidade. Família de homem que morreu após injeção aplicada em farmácia protesta por justiça no Acre Maiko ficou internado por dois dias em Tarauacá e, devido à gravidade, foi transferido via aérea para Cruzeiro do Sul.
Ele chegou ao Hospital Regional do Juruá em estado crítico e morreu no dia 22 de março. A causa da morte foi apontada como sepse associada a fasciíte necrosante, uma infecção grave que se espalha rapidamente pelo corpo e pode levar à falência de órgãos como rins e fígado. O homem deixou três filhos, de 10 anos, 8 anos e um bebê de um mês, além de uma companheira com quem mantinha união estável há mais de dez anos.
O MP-AC instaurou, na última quinta-feira (26), procedimentos nas áreas criminal e cível para apurar as circunstâncias da morte.
O CRF-AC também apura as circunstâncias do caso junto aos órgãos de justiça.
“É uma dor muito grande na nossa família por conta de um erro de uma farmácia.
A farmácia continua funcionando normalmente, como se nada tivesse acontecido, isso causa revolta.
Deveria ter pelo menos luto pela nossa família”, completou a prima. VÍDEOS: g1