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A guerra como negócio: cresce na Alemanha o mercado de bunkers
A guerra voltou a ocupar espaço no imaginário dos alemães — e também movimenta um mercado que parecia pertencer ao passado.
Em meio às tensões geopolíticas provocadas pela invasão da Ucrânia pela Rússia, cresce na Alemanha a procura por bunkers particulares e sistemas de proteção subterrânea. O movimento reflete uma mudança de percepção em um país marcado pelas memórias da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Fria.
Enquanto o governo discute a reativação de antigos abrigos públicos, empresas especializadas registram aumento expressivo nas vendas de bunkers para uso privado. Segundo o diretor de uma das maiores fabricantes do setor, antes da guerra na Ucrânia a empresa vendia entre 50 e 70 bunkers por ano.
Hoje, a média chega a 200 unidades anuais.
O catálogo inclui desde abrigos familiares até modelos voltados para quem deseja manter as atividades profissionais mesmo em situações extremas. Um dos produtos mais procurados é o chamado "Safe Office", um bunker-escritório instalado no subsolo, projetado para oferecer proteção contra explosões e até radiação.
O preço pode chegar a cerca de R$ 800 mil. As empresas do setor rejeitam a ideia de que lucram com o medo.
Para os fabricantes, a compra de um bunker segue a mesma lógica de seguros residenciais ou equipamentos de segurança usados no dia a dia. "Muita gente me pergunta se eu vendo segurança ou medo.
Eu não tenho problema nenhum com essa questão.
Fazemos seguro para a casa, seguro-saúde.
Alguém precisa vender bunkers neste país", afirma um empresário do ramo. Febre dos bunkers: abrigos antibomba viram negócio em alta na Alemanha Reprodução/TV Globo Bunker construído em casa Christian, morador da Baviera, decidiu construir o próprio bunker durante as obras da nova residência da família. Com a ajuda de amigos e do filho de 13 anos, ele investiu cerca de 45 mil euros — aproximadamente R$ 270 mil — em um abrigo subterrâneo equipado com camas, cozinha, banheiro, mesa de jantar e estoques de emergência.
No local, também mantém equipamentos militares, como máscaras de gás, medidor de radiação e colete à prova de balas. Ex-militar, Christian diz que a decisão foi influenciada pelas notícias sobre a guerra na Ucrânia e pelas lembranças da Guerra Fria. "No começo, minha mulher achava que eu estava maluco, mas, com o tempo, acompanhando o noticiário, mudou de opinião", relata. Febre dos bunkers: abrigos antibomba viram negócio em alta na Alemanha Reprodução/TV Globo País quer ampliar proteção A preocupação não está restrita aos cidadãos.
A Alemanha possui atualmente 579 abrigos públicos com capacidade para cerca de 480 mil pessoas, menos de 1% da população.
Nenhum deles está operacional atualmente. Diante do novo cenário de insegurança na Europa, o governo alemão planeja reativar parte dessa estrutura, além de modernizar sistemas de emergência e reforçar as Forças Armadas.
A meta é recrutar 80 mil novos soldados até 2035.
O ministro da Defesa já declarou que o país precisa estar preparado para um eventual conflito. Febre dos bunkers: abrigos antibomba viram negócio em alta na Alemanha Reprodução/TV Globo GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação.
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