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Análise: conta de tarifaço 2.0 está na mesa do bolsonarismo
A nova tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos contra o Brasil na última terça-feira (2) já é um tema que entrou na pré-campanha e está sendo explorado tanto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto pelos outros pré-candidatos da direita, porque a disputa polÃtica é sobre uma pergunta simples: quem vai pagar essa conta?
A nova taxa, que já está sendo chamada de "tarifaço 2.0", não é um fato isolado.
É praticamente um remake da novela que o Brasil já assistiu. Mais bastidores: acompanhe o canal da Sadi no WhatsApp Na primeira temporada, o protagonista foi o ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Ele foi aos Estados Unidos em fevereiro de 2025, articulou sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades brasileiras e, logo depois, em julho, veio o primeiro tarifaço.
Naquele momento, aliados chegaram a comemorar a ofensiva.
Depois perceberam que o movimento tinha um custo polÃtico e econômico e que a conta poderia acabar chegando para o próprio bolsonarismo — como aconteceu. Agora, o protagonista do remake é o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Ele foi aos Estados Unidos em meio à pressão provocada pelos desdobramentos do caso Daniel Vorcaro e queria voltar com uma agenda positiva para seu campo polÃtico.
A aposta era faturar com a classificação do PCC e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, apresentar isso como uma vitória polÃtica e aumentar a pressão sobre o governo Lula. LEIA TAMBÉM Lula diz que 'filhos são piores que Bolsonaro' ao associar taxação dos EUA à famÃlia do ex-presidente: 'Traidores da pátria' Tarifa de 25% dos EUA pode atingir aço, suco e máquinas; veja produtos fora da lista de isenção Era essa a bagagem da viagem que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) queria trazer para a sua campanha.
Só que houve um excesso de bagagem nessa estratégia: o novo tarifaço. E a conta desse excesso de bagagem está em cima da mesa do bolsonarismo.
Eles tentam se desvincular do episódio, mas, politicamente, essa separação é difÃcil.
Os fatos ficaram colados.
E o próprio Donald Trump reforçou essa associação ao republicar a foto da reunião da semana passada, trazendo novamente para o centro do debate quem esteve envolvido nas articulações que antecederam o anúncio: uma espécie de #tbt que assina o nome do tarifaço. Senador Flávio Bolsonaro encontra o presidente dos EUA, Donald Trump Divulgação Enquanto isso, o governo Lula explora politicamente o episódio porque considera que recebeu uma oportunidade de bandeja.
A estratégia é simples: colar o tarifaço nos Bolsonaro, reforçar o discurso da soberania nacional e convencer o eleitor de que o prejuÃzo econômico e polÃtico tem responsáveis. No fim, mais do que uma discussão sobre tarifas, a disputa agora é sobre autoria e desgaste.
E, neste momento, a fatura do tarifaço está sentada na mesa do bolsonarismo. GloboPop: veja os vÃdeos do palco da Andréia Sadi