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Ônibus da Transwolff operavam 133 linhas de ônibus na Zona Sul de São Paulo.
Divulgação/Transwolff
A Corregedoria da Polícia Militar concluiu nesta segunda-feira (25) o inquérito que apurou a participação de policiais militares em um esquema de segurança privada ilegal para os dirigentes da empresa de ônibus Transwolff, apontados como integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
🔎 A Transwolff e a UPBus foram alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024 pelo Ministério Público de São Paulo, por suspeita de lavagem de dinheiro e favorecimento à facção criminosa.
(Leia mais abaixo.) Segundo as investigações, os agentes integravam uma estrutura de proteção armada que beneficiava Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, e Cícero de Oliveira, o Té.
Eles foram classificados como operadores de lavagem de dinheiro para a facção criminosa pelo Ministério Público. Ao todo, foram indiciados pela Corregedoria o capitão Alexandre Paulino Vieira, o sargento Nereu Aparecido Alves, o sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário e o tenente-coronel José Henrique Martins Flores.
Também foi solicitada a manutenção da prisão preventiva deles. Procurada, a defesa do capitão Alexandre afirmou que ele é inocente, além de ser "uma pessoa íntegra e profissional exemplar, não tendo relação alguma com qualquer prática criminosa".
Ainda afirmou que "as investigações têm se estendido por tempo exagerado, sem fundamentação legal, mantendo a custódia por tempo indeterminado". A defesa dos demais indiciados não foi localizada até a última atualização da reportagem. Operação da Corregedoria da PM prende policiais em SP A investigação ainda encontrou indícios de relação financeira entre o ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite (União Brasil) e a Transwolff.
Interceptações telefônicas mostraram o sargento Nereu justificando ao empresário Té um atraso na escolta por estar, em 18 de agosto de 2023, na inauguração de uma creche municipal ao lado do vereador, a quem se referia como “chefe”. O relatório final detalhou a existência de um núcleo gestor formado por oficiais da PM que administrava os serviços e ocultava os ganhos financeiros.
O capitão Alexandre é apontado como o responsável por coordenar as escalas, definir pagamentos e recrutar outros agentes, utilizando uma empresa de consultoria em nome de sua mãe para emitir notas fiscais fraudulentas à Transwolff.
O capitão atuava na assessoria militar da Câmara, foi ajudante de ordens de Milton Leite e mantinha estreitas ligações com o vereador desde 2014.
Além disso, o tenente-coronel José Henrique também foi indiciado por utilizar empresas de fachada, registradas em nome de laranjas, para prestar serviços contínuos de portaria e escolta armada à transportadora.
A Corregedoria identificou que a construtora Neumax, da qual Milton Leite é sócio, funcionaria como o elo financeiro do esquema, recebendo R$ 812 mil mensais da Transwolff pelo aluguel de imóveis na Zona Sul.
O valor estimado é quase três vezes acima da média de mercado. As quebras de sigilo revelaram trocas de mensagens em que o sargento Nereu gerenciava o pagamento das diárias aos policiais envolvidos na escolta e cobrava o repasse de valores.
Durante a operação, realizada em fevereiro, os investigadores apreenderam cerca de R$ 1 milhão em dinheiro vivo na casa do sargento Nereu. Em depoimento, policiais subordinados relataram que aceitaram o trabalho por acreditarem na licitude do serviço, uma vez que o convite partira de um capitão e da Transwolff, que possuía contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo.
Porém, segundo Corregedoria, a segurança privada foi mantida mesmo após a ampla divulgação de operações policiais contra a diretoria da empresa, caracterizando uma conduta de “cegueira deliberada” por parte dos investigados. Operação Fim da Linha A Transwolff — com outra empresa de ônibus, a UPBus — foi alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024 pelo MP-SP por suspeita de lavagem de dinheiro e favorecimento ao PCC As investigações apontam que o dinheiro usado para aumentar o capital da Transwolff poderia ter origem ilícita — ou seja, os recursos seriam provenientes de atividades do PCC. O esquema envolveria uso de “laranjas” e “CNPJs fantasmas”, facilidades de empresas de fachada para ocultar as verdadeiras origens dos valores, algo típico de lavagem de dinheiro. Em função dessas suspeitas, a Prefeitura de São Paulo abriu processo para rescindir os contratos da Transwolff e da UPBus em dezembro de 2024. A defesa da Transwolff, porém, nega qualquer vínculo com o crime organizado — afirma não haver “comprovação de qualquer relação com organizações criminosas ou de atividades ilícitas” e diz que vai contestar a decisão na Justiça. Esquema entre empresas de ônibus suspeitas e o PCC em São Paulo Arte/g1, com informações da Receita Federal