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Eles sofreram lesões graves na medula espinhal e viram o impossível acontecer depois de um tratamento experimental com a polilaminina, uma proteína retirada da placenta que pode devolver movimentos.
São resultados promissores que nos enchem de esperança! A Anvisa chegou a autorizar um estudo clínico da polilaminina com um grupo de voluntários a partir de março deste ano. Se tudo der certo, o medicamente deve estar disponível em até cinco anos.
O que já provocou uma corrida à Justiça: até agora, ao menos 50 pacientes entraram com ações para tentar acesso ao tratamento antes mesmo do início desse estudo clínico.
Mas em que casos a polilaminina é de fato recomendada? quais são os riscos? e o que ainda falta para que ela chegue ao mercado? Neste episódio do podcast ‘Isso é Fantástico’, Maria Scodeler recebe a bióloga e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a cientista Tatiana Sampaio, e a repórter Flávia Cintra.
“Nós conseguimos fazer um estudo clínico pequeno, um estudo clínico piloto, mas sem patrocinador externo.
Então, ele foi feito no ambiente acadêmico.
É um estudo clínico acadêmico, que é uma coisa muito rara, principalmente de uma droga nova, uma droga injetável, é uma coisa realmente muito rara.
E a gente conseguiu fazer por conta de uma conjunção de fatores.
Primeiro, uma crença de que o impossível é possível.
Depois, pelo trabalho voluntário de muita gente.
Então, as pessoas que participaram foram muito dedicadas e a gente não pagava praticamente nada.
Quase todo mundo estava trabalhando por amor”, destaca a cientista Tatiana Sampaio.
Hawanna Cruz Ribeiro, de 28 anos, é atleta paraolímpica de Rugby em cadeira de rodas Arquivo Pessoal Hawanna Cruz Ribeiro, de 28 anos, atleta paraolímpica de Rugby em cadeira de rodas, é paciente da polilaminina desde 2020.
“Aos 19 anos, no dia oito de setembro de 2017, aconteceu o meu acidente.
Eu caí do terceiro andar, aproximadamente 10 metros.
Caí de cabeça, tive um traumatismo craniano, três vértebras do pescoço quebrado.
Após a polilaminina, eu recuperei sensibilidade, uma sensibilidade bizarra, que, para a minha lesão, não é comum.
Se uma mosca pousar na minha canela, eu sinto.
Se minha unha estiver encravada, eu sinto.
Sinto, também, a sensação de temperatura.
Demoram alguns segundos, mas sinto.
Assim como a de dor.
Também é desse mesmo modo: demoram alguns segundos, mas eu também sinto.
Eu tenho sensibilidade na bexiga e no intestino.
Melhorou o meu tronco.
Antigamente, se minha cadeira batesse num buraco, eu iria de cara no chão.
Hoje, eu já tenho um tronco..
um controle de tronco um pouco melhor e isso não acontece mais.
Também tinha perdas de urina antes da polilaminina e hoje eu não tenho mais.
Ganhei movimento nos braços, ganhei também..
me devolveu também a minha musculatura dos braços e das costas e parcial do controle de tronco”.
Em nota, a Anvisa reforça que "só os ensaios clínicos controlados e em todas as fases" podem comprovar "a segurança e a eficácia do produto." e que "nos casos em que o paciente não atende aos critérios do ensaio", a pessoa pode receber o tratamento no chamado "uso compassivo".