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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na sabatina de 'O Globo', CBN e 'Valor Econômico'
Maria Isabel Oliveira/O GLOBO
O candidato do Republicanos ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas, foi entrevistado por "O Globo", "Valor" e CBN nesta quinta-feira (20).
Conduzida pelos jornalistas Vera Magalhães, Marcello Corrêa e Guilherme Muniz, a entrevista faz parte de uma série realizada com os postulantes ao Executivo paulista.
Nesta quarta-feira (1920), foi a vez de Fernando Haddad (PT) – leia aqui a checagem.
Os convites foram baseados no desempenho dos candidatos na pesquisa Quaest divulgada em 29 de julho. A equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Leia: "Há algum tempo a gente falava da Linha 6 [Larajna, do Metrô da capital paulista].
A gente falava que nós faríamos uma entrega parcial.
E a gente sempre disse: ‘Nós vamos entregar parcialmente o funcionamento da Linha 6, que vai funcionar lá da João Paulo I até a estação Perdizes.
No final do ano, a gente vai fazer [a ligação entre] Brasilândia - Perdizes.
E, no final de 2027, a gente vai fazer Brasilândia a São joaquim." g1 A Linha 6-Laranja tinha uma previsão de entrega por etapas: primeiro, um trecho parcial, depois a ligação entre Brasilândia e Perdizes e, por fim, a conclusão até São Joaquim, prevista para 2027. A previsão inicialmente divulgada pelo governo e pela concessionária LinhaUni era de inauguração parcial em outubro de 2026.
A abertura ao público, porém, ocorreu em 3 de julho, antes do prazo inicialmente anunciado. A antecipação foi anunciada pelo próprio governador.
Em maio, segundo o MetroCPTM, Tarcísio afirmou: “A gente em junho deve iniciar as operações da Linha 6, no final do ano a gente vai ter a Linha 6 já ligando Brasilândia a Perdizes”.
Depois, o trecho foi efetivamente aberto em julho. A mudança ocorreu em meio ao calendário eleitoral.
Tarcísio pressionou pela antecipação da entrega após um aditivo contratual de R$ 3,6 bilhões, pago à concessionária no ano anterior para acelerar as obras.
Na inauguração, o governador defendeu a medida e disse que antecipar a operação permitiria antecipar a geração de receita para o estado. A abertura de julho também ocorreu em fase de testes.
A Linha 6-Laranja passou a operar em “operação assistida”, com funcionamento de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h, e intervalo de aproximadamente 20 minutos entre os trens. As seis estações abertas apresentavam diferentes níveis de conclusão: Água Branca (98%), Santa Marina (95%), Perdizes (94%), João Paulo I (93%), Freguesia do Ó (90%) e Sesc-Pompeia (85%). A conclusão da linha continua prevista para 2027.
Na inauguração, Tarcísio afirmou que Brasilândia e Perdizes seriam entregues até outubro e que o restante do projeto, com as 15 estações até São Joaquim, ficaria para o próximo ano. "A maioria das reclamações [sobre a Sabesp] no Procon, a maioria absoluta, tem a ver com tarifa.
É muito pouca coisa em termos de prestação de serviço.
A percepção ruim que ficou dessas reclamações tem muito a ver com a troca dos hidrômetros que foi feita.
Porque, a partir do momento que você botava o hidrômetro digital, você começava a ter uma marcação diferente do que aquele hidrômetro convencional que nós tínhamos.
A gente monitora isso frequentemente, a quantidade de reclamação já vem caindo, e caindo bastante." g1 #NÃOÉBEMASSIM.
Veja por quê: O Procon-SP recebeu 22.585 reclamações de consumidores sobre a Sabesp desde o início de 2026, o que coloca a companhia na terceira colocação entre as empresas com maior número de queixas.
Dessas, aproximadamente 16,3 mil (72,3%) estão relacionadas a cobranças consideradas indevidas.
Problemas na prestação do serviço motivaram cerca de 1,7 mil reclamações no mesmo período, o que corresponde a 7,5% do total. Os dados corroboram a afirmação do candidato de que a maioria das reclamações tem a ver com tarifa.
Por outro lado, demonstram que a qualidade do serviço é alvo de uma parcela significativa das queixas de consumidores. A justificativa de que a troca dos hidrômetros estaria por trás da percepção negativa sobre a empresa, por sua vez, não explica integralmente a evolução das reclamações.
A Sabesp só iniciou em fevereiro deste ano a substituição de 4,4 milhões de equipamentos por modelos inteligentes em São Paulo e São José dos Campos.
No entanto, o aumento das queixas já havia se intensificado anteriormente: de 2024 para 2025, a quantidade de queixas mais que dobrou. Veja o comparativo dos últimos anos: 2023 (8.319); 2024 (10.566); 2025 (23.827); e 2026 (22.585, até 19 de agosto). Os dados disponíveis não permitem medir com precisão qual é a participação das reclamações relacionadas aos novos hidrômetros no total de queixas registradas pelo Procon.
Por isso, não é possível afirmar que a substituição dos equipamentos seja a principal responsável pelo aumento das reclamações. Além do registro geral de queixas, o Procon divulga anualmente um balanço de reclamações fundamentadas, que correspondem aos casos que não foram solucionados pela empresa após atendimento preliminar.
Em 2025, a Sabesp ficou no topo desse ranking com 6.879 queixas, quase o triplo do ano anterior – quando ficou na 13ª colocação – e mais de quatro vezes o volume registrado em 2023, antes da privatização.
No ano passado, a taxa de atendimento das reclamações fundamentadas foi de 31%. O Fato ou Fake apurou que as queixas relacionadas ao atendimento – como dificuldade de contato, informações incorretas e descortesia – cresceram de forma contínua entre 2023 e 2025.
Em 2026, já somavam 1.828 registros, o equivalente a 69,5% do total contabilizado em todo o ano passado. Os dados não permitem confirmar a melhora dos canais de comunicação alegada pelo governador.
Embora o número de reclamações desse tipo esteja abaixo do registrado em 2025, o volume permanece elevado. Veja o comparativo das reclamações sobre atendimento: 2023 (893); 2024 (1.174); 2025 (2.628); e 2026 (1.828, até 19 de agosto). Já a afirmação de que "a quantidade de reclamação já vem caindo e caindo bastante" encontra respaldo parcial nos números divulgados pelo Procon.
Os registros mensais de reclamações contra a Sabesp mostram desaceleração ao longo de 2026.
Por outro lado, o volume acumulado neste ano continua superior ao observado no mesmo período de 2025: passou de 13.418 para 22.585 reclamações antes mesmo do fim de agosto. "A gente tem uma redução contínua de indicadores criminais.
Indicador de homicídio vem caindo continuamente, latrocínio vem caindo continuamente.
E a gente chegou nos menores indicadores da série histórica de São Paulo: 173 cidades de São Paulo não tiveram um roubo sequer no ano de 2025 – 173 das 645 cidades.
Nós tivemos, aí, quase 300 cidades que não tiveram um homicídio sequer no anos de 2025." g1 Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) enviados ao Fato ou Fake, o estado registrou em 2025 os menores números da série histórica para roubos, homicídios, latrocínios, roubos de veículos e roubos de carga. O número de homicídios também atingiu um recorde de baixa: foram 2.438 homicídios dolosos em 2025, uma redução de 3% em relação a 2024, quando houve 2.517 registros.
Segundo a SSP-SP, foi o menor número de homicídios desde o início da série histórica, em 2001. * A afirmação sobre as cidades sem homicídios também é verdadeira.
Dos 645 municípios paulistas, 289 não registraram nenhum homicídio doloso em 2025, o equivalente a 45% das cidades do estado.
O governo afirma que foi o melhor resultado desde 2021. Há, porém, uma pequena diferença no número citado pelo candidato.
Ele afirmou que 173 cidades terminaram 2025 sem nenhum registro de roubo.
Os dados da SSP-SP apontam, na realidade, 174 municípios sem registro de roubo no ano passado.
Isso corresponde a 27% dos municípios, ou aproximadamente uma em cada quatro cidades do estado. Os roubos também atingiram o menor patamar da série histórica: 161.310 casos em 2025, queda de 16,7% em relação aos 193.658 de 2024.
Segundo a SSP-SP, também foram registrados os menores números da série histórica para roubos de veículos e de carga e para latrocínios. "O 190 [número de emergência da Polícia Militar] recebe 20 milhões, 22 milhões de chamados por ano [no estado de São Paulo].
São mais de 60 mil chamados por dia.
35 mil desses chamados viram ocorrências." g1 #NÃOÉBEMASSIM.
Veja por quê: Em junho deste ano, o perfil oficial do Centro de Operações da Polícia Militar de São Paulo (Copom) no Instagram publicou um vídeo afirmando que o serviço recebe cerca de 28 mil ligações por dia pelo 190.
Desse total, aproximadamente 9 mil chamadas resultaram no atendimento de ocorrências e no despacho de equipes policiais.
Na ocasião, não foi informado o número total de chamadas nem o período considerado para chegar a essa média diária. Procurada pelo Fato ou Fake, a assessoria de imprensa do candidato afirmou, em nota, que o volume de 60 mil ligações por dia citado por ele corresponde à média de acionamentos recebidos pelo Copom em 2025 – o total no ano foi de 20.874.783 atendimentos.
O comunicado cita, ainda, que esse volume inclui as ligações direcionadas ao 193 (serviço do Corpo de Bombeiros), e não apenas chamadas relacionadas a ocorrências policiais. O número é semelhante ao balanço de atendimentos realizados em 2025 e publicado no perfil do Copom no Instagram em janeiro deste ano.
Segundo a publicação, houve 20,8 milhões de atendimentos pelos telefones 190 e 193, com cadastro de 6,3 milhões de ocorrências. Na média por dia, foram cerca de 57 mil atendimentos, com 17 mil ocorrências registradas.
Ambos os números ficam abaixo do apontado pelo candidato. "Nós não tivemos um [único] roubo de banco no primeiro semestre deste ano [no estado de São Paulo]." g1 A declaração é #FATO.
Veja por quê: Dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública confirmam que o estado não registrou nenhum roubo a banco no primeiro semestre de 2026. Veja o comparativo dos últimos anos nos registros desse tipo de crime: 2023 (20); 2024 (4); 2025 (4); e 2026 (0, até junho). "Quando a gente compara a letalidade policial do estado de São Paulo, a gente vai ver que ela é inferior à do estado do Ceará, é inferior à do estado da Bahia, é inferior à do estado do Pará, é inferior à do estado de Goiás." g1 A declaração é #FATO.
Veja por quê: Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, com dados de 2024, que utiliza a taxa de letalidade policial por 100 mil habitantes como critério de comparação, São Paulo registrou índice de 1,8, inferior aos de Ceará (2,4), Goiás (5,1), Pará (7,0) e Bahia (10,5). No ranking completo, que reúne 26 estados e o Distrito Federal, SP aparece em 16° lugar. "A alfabetização na idade certa – a gente teve uma melhoria expressiva, estamos crescendo.
Nós conseguimos o selo ouro do MEC [Ministério da Educação] pela primeira vez com o resultado de 2024." g1 A declaração é #FATO.
Veja por quê: O gover...